Arquivos para a Categoria ‘uruguay’

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Jogatina

8 Julho, 2009

Fomos ao cassino no final da noite. Sei lá, nem é a primeira vez que passo por um cassino, mas dessa vez tive vontade de entrar. O lugar é bonito, mas é muito brega. Só imaginava encontrar pessoas como Hebe Camargo ou Amaury Júnior naqueles tapetes cheirando a pó, mas o que vimos foram velhinhas em caça-níqueis. Compramos cinqüenta pesos em fichas e saímos com quarenta e cinco. Até que tive um bom desempenho, das três vezes que joguei, ganhei duas. Tampico é que perdeu todas e nos deu o prejuízo. Em Punta (fiquei íntima) estava chovendo muito, então resolvemos adiantar nossa passagem para chegar cedo ao aeroporto. Agora estou aqui, esperando as quatro horas que me separam do Brasil passarem.

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Punta

5 Julho, 2009

Acho que nunca estive perto de tanta gente rica como em Punta Del Leste. Vi um monte de gaivotas e leões marinhos. Rapaz, que bicho grande é o leão marinho. Apesar do meu encantamento, não pude deixar de pensar em como ele é feio, todos tem uns dentinhos pretos e tenho certeza que tem um bafo podre. Mas enfim, são leões marinhos e fiquei feliz de vê-los. Passeamos durante toda a tarde na orla e chegamos no hotel só a noite, exaustos. Tenho que contar o que vivi. Anoitecia, estava cansada, com os pés doloridos, minha garganta tropical doendo de tanto vento no rosto, a temperatura baixava muito rápido e não sabia nem para que lado era o hotel. Fui ficando desesperada, agarrada ao braço de Tampico, que seguia tranqüilo com sua camiseta e tênis. Depois de muito tempo (na minha cabeça), quando tive coragem de perguntar para ele o que faríamos perdidos em uma cidade distante, ele apontou para um prédio do outro lado da rua: o nosso hotel. Ou seja, a minha incrível capacidade de fantasiar continua intacta apesar do frio. No domingo acordamos cedo para conhecer a outra parte de Punta, mas acho que caminhamos muito rápido no sábado e acabamos com todos os pontos da cidade. Só sobrou a mão famosa que se vê em um minuto e vai embora. Aí resolvemos ir até um shopping que fica aqui perto para ver os uruguaios vivendo suas vidas. Como era de se esperar, Sandoval levou uma enorme queda e está com o tornozelo doendo. Foi uma queda tão feia que nem tenho palavras. Na hora tive vontade de chorar, uns brasileiros vieram tirá-lo do meio da rua. Agora só tenho vontade de rir. Como uma pessoa consegue cair tanto? E de forma sempre tão dramática? Bem, voltando a viagem, meu lado de consumidora voraz anda um pouco decepcionado. Aqui só há coisas importadas a venda. Tudo é do Brasil, Argentina ou o velho e bom hecho en China. Vou voltar pra casa sem uma lembrancinha! O artesanato tem um problema: quando é original, ou seja, quando é uma coisa que não encontraria no Pelourinho um igualzinho, é em dólar e custa os olhos da cara. Tipo, um casaco de couro de cabra feito a mão custa uns quinhentos dólares. Resolvemos conhecer a cidade de Maldonado. O taxista nos explicou que as pessoas viviam em Maldonado e vinham a Punta para pescar. Como o caminho era muy peligroso, uns pescadores começaram a construir casas para se abrigarem. Em seguida vieram os estrangeiros com todo o su dinero e capacidade de destruir, acabaram com as dunas e hoje temos a casa de Bush, uns tantos hotéis grandões e cassinos. Os uruguaios mesmo vivem em Maldonado e cidades vizinhas, aqui basicamente só gringo rico. Em Maldonado comemos… carne.

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Comidinhas

4 Julho, 2009

A comida daqui tem me intrigado bastante. Como é que as pessoas conseguem comer tanta carne e gordura e continuarem vivas? Todos os pratos levam jamon, impressionante não terem pensado num trocadilho com os ramones. Ontem tentamos não comer carne, aí pedimos uma coisa de nome esquisito no Mercado do Porto, mas era super gorduroso. A boca fica com aquela camadinha de gordura irritante. A noite pedimos pizza de jamon (ó que surpresa) com pimentão. Era gostosa, porém frita. Camada de gordura na boca de novo. A gente tinha esquecido que a cerveja dessas bandas é servida em garrafa de um litro, aí passamos a tarde com uma dorzinha chata de cabeça proveniente de ressaca. Somos muito amarelos, ressaca por causa de 500 ml de cerveja!

Também fizemos o passeio turista básico: visita ao Teatro Solis. Tava tão insatisfeita com meu cabelo que pensei em ir a um salão, mas observando as mulheres na rua voltei atrás. Por aqui o penteado poodle/capacete bomba! Quando chegasse a Salvador, ninguém entenderia  minha escolha cosmopolita, ouviria de cabeção pra baixo.

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Porto Alegre

4 Julho, 2009

Em casa, quando já estava pronta para sair, passei por uma tesoura sem ponta. Pronto, foi o suficiente para que eu tivesse a idéia de picotar mais meu cabelo. Agora estou parecendo um poodle.

Em Porto Alegre a estadia não poderia ter sido melhor. Reencontrei Tia Alaíde e as meninas e conheci outro tantão de gente. Passamos a noite em Cachoeirinha comendo churrasco, ouvindo e fazendo milhares de perguntas. Ao longo dos anos eles foram recebendo várias fotos da Bahia e tive que identificar todo mundo. Foi tão engraçado ver minha mãe jovenzinha na Lavagem do Bonfim, todos os meus tios com cabelo e sem barriga! Pela manhã ganhamos um saco de cueca virada que tinha o gostinho que eu lembrava e depois de nos perdermos, fomos na casa do meu primo Valdo, que eu ainda não conhecia, sua mulher Hellena e a filha Val para comermos e conversarmos ainda mais.

No vôo só tinha um cara com máscara. Ele também estava com a camisa toda aberta, um tênis de basquete e uma mochila peluda, então podia fazer parte do figurino. Estou com um pouco de rinite e San estava com o nariz entupido desde Salvador. Quero que isso passe logo pra pelos menos a gente não assustar ninguém. A cidade é desgraçada de bonita, embora a pobreza e o contraste sejam bem evidentes, ou seja, quase Salvador. Ficamos no Hotel Palacio, bem no centro. Tudo nele parece inventado de tão velho e estiloso. Até a recepcionista, D. Carmen, parece ter saído de um conto macabro. Ficamos no último andar, num quarto com uma varanda gigante. D. Carmen teve receio de nos dar esse quarto porque a calefação era fraca. Achamos bobagem, fiquei encantada com a vista da varanda, e aceitamos. Só mais tarde é que percebemos que pouca calefação quer dizer nenhuma, que banho na linda banheira só frio e com o ralo transbordando a água que deveria escorrer. É o caso da gente pesquisar algum lugar melhor hoje.

A primeira impressão da cidade é que não é tão barata quanto diziam. Pagamos 80 conto de táxi do aeroporto até o centro e em seguida 45 em um almoço pequeno num lugar bem simples. Sei não, mas acho que em Salvador comeríamos mais com essa grana. O prato foi o clássico carne com carne. Aliás, para o paladar de um brasileiro, acho que o churrasco daqui é sem sal. Fico tentando me acostumar, curtir a comida local e tal, mas a vontade é de voar no saleiro. Para beber, suco de naranja que ninguém é menino.

Aqui bem perto do hotel tem um livraria charmosíssima. Pensamos que era ali que o cartão de crédito ia fazer a festa e nós ficaríamos endividados até o próximo ano. Na mesinha da entrada tinha um lindo senhor todo concentrado escrevendo. Barba grande e grisalha, cabelo revolto, olhos graves e vermelhos. Segundos depois ele estava sendo expulso por um funcionário. Achamos baixo astral e saímos imediatamente. Não vou gastar uma grana que não tenho em um lugar que não vê beleza daquele homem. Mas acho que votaremos lá só pra fotografar.

Em Porto Alegre foi tão emocionante que chegamos cansados e fomos dormir umas oito da noite. O ruim é que ainda são 1:00 e eu não tenho mais um pingo de sono. San tá roncando pra caralho, atravessado na cama. Não quero acordá-lo pra ver se o bichinho se recupera e a corise passa. Ele é bem fresco com doença. Em compensação, ô pessoa pra não sentir frio! Aqui ele anda com tranqüilidade de all star, jeans e camiseta, enquanto todos passam bem agasalhados e eu praguejo ao seu lado, morrendo de frio. Até agora só vimos casacos caros, vendidos em dólar. Espertinhos… Mais tarde vou pesquisar as manhas de comprar barato por aqui. Quero comprar alguma coisa bem linda pra o filho de Cynthia. Falando nisso, a Jana foi nos encontrar no aeroporto com um sapatinho pra eu dar para ela. Disse que foi o primeiro presente que ela ganhou quando esperava pela Duda. Achei engraçado lembrar que há dezoito anos atrás, eu e Cynthia disputamos a atenção das meninas ferozmente. Agora tô eu toda emocionada, pensando em presentinhos. Que bom que a infância passa.

Ao acordar, tomei banho de chuveiro bem rápido porque D. Carmen disse que tem que ser. Depois descobri que nossa varanda tem cheiro de xixi. Se for a mesma lógica da banheira, é o cheiro do meu xixi. Lá no Salgado Filho conhecemos um cara que adora Montevideo e nos deu umas dicas. Pr causa dele hoje quero almoçar no Mercado Público. Ele contou que aqui embaixo do Palacio tem uma loja de roupas masculinas baratíssima, vendem Dior a 70 reais. Só imagino Sandoval com uma Dior, todo suado, lendo história em quadrinhos.

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Preparativos

4 Julho, 2009

Mudamos a viagem de última hora. A locadora não parava de aumentar os preços e uma viagem que deveria ser curtinha e barata estava ficando uma fortuna. Decidimos ir para Montevideo de avião amanhã e de lá para Punta del Leste de carro, busu, do jeito mais fácil. Hoje visitaremos minha família, não os vejo há quase vinte anos!
Como realmente sempre deixo tudo para o último minuto, estou agora baixando músicas. Davitrola me ajudou com Equals, tô procurando Ticoãs no filestube e sequer consigo decidir se levo ou não o computador.

A parte boa da vida é viver com pessoas ainda mais desorganizadas que eu. Já passou de meio dia e Sandoval ainda nem arrumou a mala ou tomou banho.

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