Arquivos para a Categoria ‘leituras’

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21 Abril, 2011

sentada na cultura esperando san, com o coracao angustiadinho pensando em assuntos em aberto, conheci john cheever e seu conto adeus, meu irmao. pois entao eh isso, assunto em aberto, metaforicamente te dei um golpe na cabeca, esperei vc partir e me deleito com a nudez das pessoas amadas tomando banho de mar “sem um pingo de timidez, belas e cheias de graca”.

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30 Março, 2011

Adoro essas pequenas respostas que surgem aparentemente do nada:

Nascer é entrar na comunidade dos seres humanos. Por sua vez, morrer não é só morrer biologicamente, mas é ter feito um percurso, entrar na comunidade humana, ter encontrado realização pessoal, ter acontecido enquanto realidade humana, para então morrer. Morrer para Winnicott é uma conquista advinda do percurso e realização humana.

(LESCOVAR, Gabreil Zaia. As consultas terapêuticas como possibilidade de atenção intensiva em saúde mental. Mudanças – Psicologia da Saúde, 16 (1) 21-26, Jan-Jun, 2008)

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Debaixo das rodas

8 Dezembro, 2010

Nunca gostei de Hesse. Li todos os famosos e achei-os chatos, não gostava do clima e ficava com fastio de todo o culto ao redor de Sidarta. Peguei esse livrinho sem pretensão, mais como um dever de casa, no propósito de dizer que eu realmente não gosto de Hesse. Porém ele começa da melhor maneira possível e mantém o clima chato dos outros livros longe a maior parte do tempo. É a história de Hans, um menino órfão de mãe, que não gostava de chocolate, franzino e pálido, de uma cidadezinha do interior. Hesse descreve de maneira magnífica as agonias da adolescência acompanhando Hans. Encantei-me com as críticas a educação da época (tão familiar ainda hoje), as amizades e descoberta do desejo. Não fosse pelas descrições intermináveis das paisagens, diria que é um livreto perfeito.

(Hesse, Hermann. Debaixo das rodas. Civilização Brasileira: Rio de Janeiro, 1972)

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A consciência de Zeno

21 Novembro, 2010

Comprei esse livro em um sebo no Rio. Escolhi rápido, muito pela capa azul, sem nenhuma informação. Depois me ocorreu que falta a ele aquela capa de papel que encobre alguns livros, da qual não sei o nome. Fala sobre a tentativa de Zeno de parar de fumar usando a psicanálise. Com ajuda do terapeuta, ele deveria recordar fatos marcantes de sua vida e a origem de seu fumo constante. É dividido em capítulos grandes, onde Zeno dá ênfase ao pai, ao fumo, ao casamento, amante e negócios. É engraçadíssimo e várias vezes achei uma pena que não pudesse compartilhar minhas risadas com ninguém. Só agora a pouco, quando terminei, pensei em pesquisar sobre o autor. Ele viveu em Trieste, cidade de Zeno, e foi amigo de J. Joyce. Recebeu pouca consideração pelos poucos livros que escreveu e trabalhava em um banco. É um dos primeiros livros que fala sobre a psicanálise.

(Svevo, Italo. A consciência de Zeno. O Globo: São Paulo: Folha de São Paulo, 2003)

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Para não esquecer

29 Junho, 2010

Comprei sábado para dar de presente para minha mãe. Fala sobre uma avó que tem Mal de Alzheimer. O livro é uma merda e agora que percebo que o título é de um de Clarice, fico até com vergonha. Li hoje durante o jogo. Nas primeiras páginas pensei em uma polêmica que assolou os corações pimbas soteropolitanos sobre umas fotos espalhadas pela cidade há poucos anos atrás: de maneira bem simplificada, metade dos pimbas achava o trabalho horrível e a outra metade defendia o autor dizendo que ele tinha o direito de expor já que teve a coragem de se inscrever. É o caso da autora. Seu mérito é ter tido a coragem de mandar sua historia para uma editora e ter inclusive seu livro traduzido para outros idiomas. Valeu porque pude me lembrar de vários momentos engraçados de minhas tias.
Azi fala e interage cada vez menos e seu silêncio me traz muita melancolia. É como se ela estivesse morta. Muitas vezes a abraço com força e não sinto mais vida. Ela fica perdida em suas memórias que não consegue mais compartilhar, enquanto fico pensando em uma maneira de me despedir.

(Jaouen, Hervé. Para não esquecer. São Paulo: Companhia das Letras, 2006)

* descobri agora que é um livro infantil.

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O escafandro e a borboleta

27 Fevereiro, 2010

L. havia me contado a sinopse do filme então, quando encontrei o livro com o mesmo título, comprei imediatamente para presenteá-la (e pedir emprestado em seguida). É uma leitura muito gostosa e rápida, li no trajeto de ônibus casa-trabalho-casa*. Conta a história real de um editor francês (da Elle) que teve um acidente vascular cerebral e ficou imóvel, apenas mexendo o olho esquerdo. Repito: escreveu o livro piscando o olho esquerdo, o direito foi costurado. Isso me lembra que eu não consegui escrever um livro infantil com meus dois enormes olhos sampaku. Então é isso, o cara conseguiu contar sua história e só isso já vale. Além disso, ele não é brega, nada de pedro-bial-filtro-solar: “derramei algumas lágrimas na frente do bar onde às vezes ia comer o prato do dia. Posso chorar discretamente. Os outros acham que meu olho está lacrimejando”. Até quero ver o filme. Parte chata é que L. é uma excelente psicóloga hospitalar e o danadinho dedica capítulos para alguns profissionais que o atendem e apenas cita a psicóloga. A bichinha não tem nem nome. Acho que ela ficaria tão feliz!

* É importante informar que levo pelo menos 1 hora e meia de casa até o trabalho.

(Bauby, Jean-Dominique. O escafandro e a borboleta. São Paulo: Martins Fontes, 2008)

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Admirável mundo novo

28 Dezembro, 2009

Fiquei surpresa com o conteúdo erótico e feliz por encontrar uma leitura que tanto tem a ver com as coisas que tenho pensado e falado. Aliás, tenho falado tanto sobre a vida tal qual vivemos, que quase nem tenho outro assunto.
A grande pergunta é: por que demorei tanto para ler este livro?

(Huxley, Aldous. Admirável mundo novo. São Paulo: Globo, 2003)

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A menina que roubava livros

22 Dezembro, 2009

É mais uma história sobre uma criança na Alemanha nazista e blá. A morte é a narradora, ela é leve, legal e blá blá. O final desanda e deixa claro que o livro foi escrito para virar um filme melodramático, esquema Caçador de pipas. Uma coisa se destacaria no livro: a maneira como o autor utiliza imagens para falar das palavras. Disse seria, caso ele não utilizasse tal recurso em todas as suas 478 páginas. Quer ver? Vou abrir o livro de forma aleatória e copiar uma dessas passagens: “Enquanto o rapaz olhava, constrangido, para a forma humana à sua frente, sua voz foi raspada e entregue na escuridão, como se fosse tudo o que restava dele”. Ok, vou escolher uma melhor para fazer justiça com o livro: “Na tradução, lutou com palavras gigantescas, carregou-as no ombro e as largou como um par atamancado aos pés de Ilsa Hermann. Elas caíram de banda, quando a menina deu uma guinada e não pode mais suportar o peso. Juntas, as duas ficaram no chão, grandes, altas, canhestras”*. Tipo, eu chorei bastante no final, mas também chorei na Lista de Schindler quando aquela menina colorida morre, também chorei na formatura de alfabetização de minha prima e hoje chorei com pena de mim mesma no calor de Salvador. Choro como a porra. Isso não faz do livro algo mágico. Eu diria que se o ponto 0. é Paulo Coelho, o 10. é Neil Gaiman,  Zusak está no 3 na versão para adultos (e Rowling em 3 na juvenil).
(Zusak, Markus. A menina que roubava livros. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2007)

* as palavras eram sinto muito.

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Julie & Julia

11 Dezembro, 2009

Uma das minhas resoluções de ano novo é escrever mini comentários simplórios a respeito de tudo o que eu leio (refiro-me a livros). Não sei se pretendo publicá-las, mas vai ser legal consultar minhas opiniões passado um tempo, além de poder avaliar como gosto de ler as coisas mais distintas.
Caso eu publique, gostaria de deixar claro que é a porra da minha opinião sobre as coisas que eu gasto meu tempo para ler, então não darei atenção a nenhum admirador enlouquecido.
Então, para começar, posso falar sobre o livro que C. me emprestou: Julie&Julia. É divertido, é engraçado, mas é americano. Ou seja, é muito auto depreciativo e sarcástico pra o meu gosto. Porém confesso que deixei de fazer coisas importantes pra terminar de lê-lo e que dei boas risadas. Arrisco até em afirmar que esse pequeno desafio que estou me propondo é influência dele.
Várias vezes me empolguei mentalmente com a possibilidade de fazer algo para comer que levasse mais que miojo e queijo, quem sabe até seguir a receita de um livro e não do site do maisvocê, porém meus sonhos acabaram ontem a noite quando quase coloco fogo na casa tentando descongelar um hamburguer. Também gostaria de deixar claro que assim que possível usarei a expressão quinta-essência. Julie Powell sempre se refere a ingredientes como a quinta-essência de tal receita. Achei bonito. Não vejo a hora de inserir no meu vocabulário.
(Powell, Julie. Julie&Julia. Rio de Janeiro: Record, 2009)

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