Arquivos para a Categoria ‘degradação alheia’

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5 Maio, 2011

É noite. Esqueci minha chave pela quinquagésima vez e penso em esperar San no (meu) Líder, comendo (meu) sanduíche de pernil com suco de laranja e,  quem sabe, até uma cerveja (a minha, Bohemia Weiss). É tanto amor que até me felicito por ser tão desligada.
No Líder sou obrigada a lembrar da minha condição de mulher. As pessoas, ou melhor, os homens, me olham como se eu estivesse a venda. Tenho consciência de que não é porque me acham especialmente bonita ou atraente. É apenas porque sou mulher e estou em um bar sem a tutela de um homem. Se fosse feíssima também olhariam, só mudaria a intenção (de “sedução” para escárnio).
Se paro de escrever e levanto a vista tem que ser com cuidado, pois vai lá que meu olhar cruza com o de algum deles. Ele pode pensar que estou me oferecendo ainda mais e tentar alguma coisa. Apenas porque sou mulher.

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14 Janeiro, 2011

Essa semana descrevi umas pessoas para San dizendo que eram feias. Falei assim: e além de tudo, é um povo tão feio! Desde então tenho matutado sobre minha colocação que, se ouvisse de outro, ia achar preconceituosa e ignorante. Sabe quando a gente acha um namorado a pessoa mais linda do mundo e, quando descobre uma traição, a pessoa fica feia? Ela não mudou sua aparência, seu jeito, seu perfume, mas pluft, enfeiou. A beleza que me referi passa por atributos não estéticos como no caso da traição citada. Tem uns atos tão deselegantes e baixos que fazem a pessoa ficar feia. Quando encontro gente assim, sempre lembro de uma brincadeira de meu tio. Para abusar algum amigo, ele pergunta: ô fulano, ser feio assim dói? Você já nasceu feio ou ficou aos poucos? Tenho vontade de perguntar isso e acrescentar: Fulano, não encontro resquícios da criancinha linda que você foi. Cadê ela? Mostre um pouquinho da sua que eu te mostro meu lado bom e a gente vai poder brincar junto!

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Diálogo do dia

6 Dezembro, 2010

Agora, na porta de casa:
- Vá ver seu traficante!
- E você vá cuidar de sua aids!

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Dia 10, sabado

10 Julho, 2010

Cedo conheci um menino que veio cobrir um torneio de tênis aqui, ele é da Barra! Saímos para que ele comprasse um celular e me refastelei com tanto baianês. Vi a outra brasileira, mas era parece meio maluca* então fiquei quieta pra que ela não me percebesse. Até agora funcionou.

* Ela deu um chilique porque no relógio dela eram onze horas e em Bogotá ainda era oito, explicava que a hora de Bogotá deveria estar errada porque o relógio dela nunca erra! Um dos rapazes do albergue falava divertido: deve ser um milagre! é incrível!

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92 de 100

2 Junho, 2010

Enquanto terminava um curso de Prevenção ao uso indevido de drogas oferecido pelo Governo Federal, o Dois está em polvorosa porque um dos moradores da praça está em crise convulsiva. Após terminar a prova, decidi ir ao mercado comprar areia higiênica para Laurita e ouvi as pessoas reclamando da demora da SAMU. Tentei não ligar, fui ao mercado, voltei e ele continuava do mesmo jeito. Perguntei a moça que parecia ser a lider da situação em que poderia ajudar, ela disse que já haviam ligado para a SAMU e que estava esperando o atendimento. Liguei para 192 e fui informada que “as providências cabíveis já tinham sido tomadas”. Quis saber quais, já que da minha janela não enxergava providência nenhuma, só um homem agonizando. Ouvi irritação e nenhuma resposta. Todos têm nojo, inclusive eu.

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12 Outubro, 2009

486px-henry_david_thoreau “Se eu tivesse certeza de que uma pessoa estava vindo a minha casa com a intenção consciente de me fazer bem, correria o mais depressa possível para me salvar… com medo de que alguma parte desse bem realemnte fosse feito” (Thoreau)

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Desvendando mecanismos internos

3 Setembro, 2009

Funciona assim: eu simplesmente não levo mais a pessoa a sério e a relação torna-se mais leve. Essas pessoas viram clichês. Fulano acha que é bonito e importante, vou dar espaço para que ele se sinta assim. É claro que é desrespeitoso, mas foi a maneira mais saudável que encontrei para lidar com o mundo. Tal mecanismo me dá uma paciência quase infinita. As coisas passam por mim, não me afligem tanto. Se descobrissem o que levou a isso, talvez se ofendessem.

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Morte anunciada

3 Agosto, 2009

Nasci na Cidade Baixa. Aquele lugar que fica perto de Salvador quando se pensa no sorvete da Ribeira ou que faz parte da cidade quando um prefeito-mamão decide que metade será desapropriada sabe-se lá pra quê.
Dia 13 de março vi “pescadores”, num barquinho pequeno e sem identificação, “pescarem” com explosivo bem em frente ao IMA, o Instituto de Meio Ambiente do estado. Todos que estavam presentes se assustaram, ligaram para a polícia e até hoje esperamos uma viatura aparecer. Conversei com vários conterrâneos, todos já tinham passado por situações parecidas e ninguém sabia o que fazer. Resolvi iniciar uma via crucis silenciosa e fiz uma denúncia na Ouvidoria do Estado. No dia 15 de abril recebi a singela mensagem da Secretaria de Segurança Pública:
“A Ouvidoria Geral de Policia/SSP recebeu a manifestação e concorda que a pesca com bomba é um atentado ao meio ambiente e que deve ser punido os seus autores.”
É comovente saber que não estou sozinha, a polícia também concorda que pescar com bomba é feio!
Do IMA, também testemunha do atentado, a resposta foi: REGISTRADA. Re-gis-tra-da. Ainda me pergunto o que significa.
Dia 1º de agosto, minha mãe foi comprar peixes na praia da Ribeira e travou o seguinte diálogo:
- Ô moço, foi de pesca com bomba?
- Não freguesa, com bomba aqui só a tainha!
A pergunta é: se para a minha mãe foi tão fácil identificar um pescador, por que para os órgãos competentes não é?

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8 Janeiro, 2009

Elas decidiram ir à praia. Nossa praia. Lixo por toda a parte. De vez em quando minha mãe apontava para algum ponto e eu, mal humorada, chamando todos dos piores nomes (conheço poucos palavrões, vocabulário limitado), ia catar. Fomos expulsas quando o arrocha começou. Era tão alto que não conseguíamos mais conversar ou ouvir o barulho do mar. A sorte é que lá no alto tem o velho rasta. Tenho certeza que ele é um sábio. Agora estou apavorada com os vizinhos. Pagode.

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15 Dezembro, 2008

Minha mãe vê Nove Mil Anjos na tv e me pergunta se aquele rapaz é Sandy ou Júnior.

Moral da história: não saber individualizar duplas tem um componente genético.

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