Finalmente cheguei em São Paulo. Consegui uma tomada e tô aqui sentadinha no chão, doida pra ver Salvador e tudo que tá dentro dela. Em Bogotá, infelizmente não consegui me despedir da deliciosa mojarra, tendo que me contentar com um badejo. Em São Paulo, tudo o que eu gostaria é de um misto e um cappuccino quase sólido Três Corações, mas consegui um café de adulto e um bauru com alface queimado. Decepções gastronômicas a parte, estou muito feliz de ter resolvido essa pendência da residência que é um fantasma em minha vida desde que resolvi me inscrever nesse mestrado. Agora ainda falta um monte de coisas, mas pelo menos falta uma coisa a menos.
Os últimos dias foram impacientes. Fora a saudade, não aguentava mais o frio chato que nunca passa, meu dinheiro tava acabando e a fatura do cartão de crédito aumentando. Porém também estava feliz por ter conhecido um monte de gente legal do Brasil e da Colombia. N. fez questão de ir lá em casa com uma bebida típica que ela mesma preparou durante a semana, uns brownies, músicas e filmes. Torço pra que ela venha para o Brasil e eu consiga retribuir com tanto capricho toda a atenção que recebi.
Lembro que quando era pequena tive uma grande festa de aniversário e ganhei um monte de presentes. Aí na primeira oportunidade levei tantos para a escola que o recreio acabou antes que eu conseguisse desembrulhar a metade. Lembrei disso ao ver uma moça desembarcando usando um ipod, iphone, abrindo a embalagem da máquina que acabara de comprar no freeshop com um biscoito pendurado de maneira grotesca na boca. Falo isso porque desde ontem me distraio irritada com essas pessoas de aeroportos. A maioria é imensamente mal educada, apesar de fazer questão de parecer bem nascido. Tentam furar fila, se jogam na esteira de bagagens como se pegar a sua mala primeiro fosse uma questão de honra e tenho certeza que compram mais perfumes no free shop do que são capazes de usar.


