E aí que eu tenho fortes traços obsessivos. Sempre enquadro as minhas coisas em determinadas categorias. Mesmo que não estejam organizadas, tudo tem uma etiqueta pelo menos mental. Com meus e-mails e blog não é diferente: em poucas tags consigo incluir tudo o que recebo ou escrevo. Pelo menos era assim até os e-mails muito doidos aparecerem. O maior problema que eles me criam é que não sei onde enfiá-los. Posso mandar o remetente enfiar em lugares ofensivos óbvios, mas não excluiria meu problema com a caixa de entrada cheia de e-mails sem categoria.
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Sobre a modéstia
17 Março, 2008“Fulano de tal sempre foi muito avesso a qualquer forma de enaltecimento de sua personalidade, possuía um estilo de vida extremamente simples e despojado de qualquer ostentação. No entanto, sua trajetória de vida sempre despertou interesse e admiração em todos que dele se aproximaram.”

Um breve epitáfio
23 Julho, 2007Mais um coronel que se vai sem que a sociedade brasileira tenha tido a competência de levar a julgamento seus crimes contra a humanidade. Faleceu no conforto do hospital, como senador da República e com poder político (ainda que declinante), enquanto seus opositores amargaram a escuridão das celas e do desaparecimento. Deixa fortuna e conforto para os seus, frutos da pilhagem de décadas sobre o povo da Bahia.
Que a sua biografia – se não for alterada pela condescendência para com os mortos – fique em nossa memória a fim de que não deixemos que pessoas como ele, e a ditadura que representaram, ergam-se novamente.
Talvez o mundo não esteja mais feliz com o fim de Toninho Malvadeza, como o general Golbery do Couto e Silva o apelidou, pois as sementes que ele deixou já germinaram, dando continuidade ao carlismo e a suas práticas.
Mas, certamente, a sexta-feira terminará mais leve que começou.
Leonardo Sakamoto
(jornalista e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu a guerra pela independência em Timor Leste e a guerra civil angolana. Foi professor do curso de jornalismo da ECA-USP e trabalhou em vários veículos de comunicação, tendo recebido prêmios na área de jornalismo e direitos humanos, como o Vladimir Herzog e o Prêmio Combate ao Trabalho Escravo. É coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, Conatrae)

Lenda do Gato Siamês
14 Julho, 2007Era uma vez, há muito, muito tempo no reino do Sião, uma donzela cujo pai era uma fera.
A tal donzela era belíssima, e o pai não gostava que as pessoas ficassem olhando para ela, então ele a exilou numa ilha deserta. Os deuses olharam e não gostaram, porque não era o destino da donzela ficar só. Na verdade, eles já estavam de olho num pescador para ser o companheiro da donzela. Só que o tal pescador nem sabia que a donzela existia. E se nem isso ele sabia, imagine se ele ia saber onde ficava a tal ilha! Um problema, mas aí os deuses resolveram mandar um gato para ajudar o pescador. Um gato muito pálido, de olhos azuis. E os deuses fizeram com que o gato pudesse falar e nadar. O pescador ficou tão espantado de ver um gato falando e nadando que não pensou duas vezes: foi atrás dele, achou a ilha, ele e a donzela se olharam e nem preciso dizer que foi amor à primeira vista.
Os deuses ficaram muito satisfeitos, e aí foram fazer um agrado no gato. Onde eles tocaram no gato, o pelo ficou mais escuro. Os pontos escuros no pelo dos gatos siameses são a sombra das mãos dos deuses. E é por isso que os gatos siameses são faladores e também – dizem – eles nadam, mas só quando ninguém está olhando.
Terezinha Bassani Campos

29 de junhos, e tudo como antes…
30 Junho, 2007
E então, como fazia todas as vezes em que se reencontravam, ela beijou-o duas ou três vezes, apertando-o contra si com todas as suas forças, e ele sentiu em seus braços o contato com as costelas, os ossos duros e salientes dos ombros um pouco trêmulos, ao mesmo tempo em que respirava o doce perfume de sua pele (…) Ela o beijava e, depois de afastá-lo, olhava-o puxando de novo para beijá-lo mais uma vez, como se, medindo em si mesma todo o amor que podia lhe dar ou expressar, decidisse que ainda faltava uma medida.
(Camus, Albert. O primeiro homem. Trad. Tereza Bulhões Carvalho da Fonseca, Maria Luiza Newlands Silveira. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994)

15 Junho, 2007
“Olha, você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei pra mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importo eu gosto mesmo assim”
Estou me deliciando com o novo cd de Erasmo Carlos. Acho uma pena ter pegado na internet sem pagar nada. Por outro lado, se não fosse assim, não teria oportunidade de ouvi-lo, salvo na casa de um amigo e provavelmente também seria de uma cópia ilegal. Cds são muito caros, nem lembro qual foi a última vez que comprei um.
Outro dia arrombaram meu carro e levaram um case cheinho de músicas, o único original era Zé Ramalho e dói lembrar do preço. E olhe que foi só um!
No carro também haviam alguns livros, mais caros que o cd, mas o ladrão não se interessou. Fora que não gosto mesmo de ler no monitor ou xérox e não me importo com mp3. x)
Escrevi quase todo esse texto sem olhar o teclado. É minha nova meta.

