Para cá voltei. Com um sentimento de insucesso, mais amarga e solitária. E dramática como sempre.

Anotações no verso de uma nota fiscal para sossegar um coração aflito e uma barriga cheia de borboletas
2 Maio, 2012Não é o caso de estar acontecendo nada, não é o caso de ter planos ou projetos de futuro. É apenas a vida acendando que pode ser muito maior e mais interessante se eu tiver coragem para sair da minha posição de princesa e aprender a viver só para dividir. É apenas estar disponível para o outro. E estes apenas são tão importantes que me sinto a beira da morte, só que louca pra viver tudo, lamber, tudo, cheirar tudo, estar em tudo.

Anne 2
24 Abril, 2012E daí que correr diminui o anseio. Ouvi dizer que outra coisa boa é discernimento, mas este não sei onde vende.

Anne
23 Abril, 2012“Sinto dentro de mim um anseio”.
Essa é uma frase deslocada do livro de Anne Frank que lembro sempre que essa sensação me acomete. É um frio na barriga, uma respiração pesada, um que de estar flutuando. Fico desconcentrada, com vontade de rir, de chorar, de desintegrar e tornar a viver. Não sei se é bom ou ruim, só posso afirmar que é algo que chega quando preciso dar um grande passo.
(…)
Ando apaixonada por Boal (permito-me falar de minha paixão apenas por ele, mortinho e distante). Ontem ele dizia que o infinito também é dentro de nós, que ele ficava embasbacado pensando no universo, nas galáxias de sua unha. Aí sinto um imenso desejo de poder conversar com alguém que tem tantos universos e se debruça sobre eles.
Talvez só me falte paciência,

Fome
8 Abril, 2012Ando com uma vontade de engolir o mundo. Tudo parece tão novo, tão lindo, apetitoso. Tantas coisas novas acenam que eu nem sei por onde começar. Que junto com a fome venham a coragem e a disciplina.

Sobre estar só
22 Janeiro, 2012Normalmente me sinto extremamente sozinha. Não tenho com quem conversar, não tenho com quem comptartilhar as coisas diárias. Não que eu não tenha. Na realidade, tenho alguns bons amigos, San e minha família, mas ninguém tem tempo, inclusive eu. E quando encontro essas pessoas, me sinto tão seca que nem consigo compartilhar o que sinto, aí ao lado delas fico ainda mais só.

Resoluções
11 Janeiro, 2012Todos os anos eu faço uma lista do que pretendo e desejo para o ano que se inicia. Funciona bastante porque me sinto cobrada e, normalmente, acabo realizando tudo o que planejo.
Esse ano eu fiz um pouco diferente. O que eu pretendo neste ano é conseguir preencher minha vida com algo que não seja roupa nova, compras, comida, tv e internet.
Tem algo em estar vivo que eu ainda não consigo experienciar. Acho positivo que eu perceba o tamanho do problema, mas tenho dificuldade em começar. Percebo que a maioria das pessoas também não vive do jeito que eu gostaria de viver. Elas de fato gastam seu tempo comprando/comendo/vendo tv, mas não é porque a maioria vive como eu que me livro do desejo de encarnar meu corpo e viver essa experiência.
Acho que boa parte do que quero é estar no presente. Isso deve ser a coisa mais difícil do mundo: estar aqui e agora e conseguir ouvir o que sinto. Uma estratégia que tenho usado é me colocar em situações novas, que não faria porque me deixam desconfortável ou com vergonha. Quando vivo alguma experiência muito nova, sinto como se algo físico se transformasse. É interessante porque, dentro dessa perspectiva, até as experiências ruins são boas.
Outra coisa é aprender a dizer não. Tenho tentado falar não claramente ao invés de enrolar para não fazer ou fazer a contragosto. Também é difícil. Estou tanto tempo dizendo sim ou enrolando, que nem sei para o que quero dizer sim.
Enfim, sinto que o tempo tá se esgotando, que mnha vida tá passando, e quero de verdade estar aqui para ver e sentir tudo.

Anastacia
22 Dezembro, 2011Aí que eu e Nana resolvemos vender parte do bagulho que dividimos entre nós. A parte mais gostosa é intangível. <3

2011
12 Dezembro, 2011Dia 18 de novembro disse que estava com medo de morrer. Esse medo tem me acompanhado durante esse ano tão longo. Não que tenha sido ruim. Finalmente terminei o mestrado, consigo cuidar das minhas coisas, voltei a vestir 38, ressuscitei pessoas mortíssimas e deixei que outras se enterrassem. Foi um período de muitas conquistas e mudanças, por isso foi um ano pesado. Tenho a sensação de ter vivido muito em pouco tempo.
A morte dos gatos foi o pior e mais inesperado fim deste percurso (sim, espero não ter mais surpresas). Sei que vai passar, é o que todos dizem, mas penso nos gatos o tempo todo, principalmente em Pacha. Eles morreram asfixiados dentro de casa porque não avisaram aos condôminos que usariam um veneno no encanamento. Pronto, simples assim. A dona do prédio tentou se eximir da culpa e o advogado avisou que não receberemos uma grande quantia porque os gatos não tinham pedigree. E Pacha, sofreu enquanto morria com os filhos? E Laurita que ainda amamentava? E nós, como ficamos sem eles? Sei que vai passar, mas o desejo é de não seguir em frente.

